O rosto cheio de espinhas é quase um símbolo da adolescência, mas nem por isso o cuidado deve ser deixado de lado. O acompanhamento médico e o tratamento adequados melhoram não só a aparência, como também interferem diretamente na autoestima dos adolescentes, além de tratar e prevenir manchas e cicatrizes.

Em primeiro lugar, saiba que você não está sozinho: a acne é uma das doenças mais comuns do mundo, acometendo mais de 85% dos adolescentes e 50% dos adultos nas suas diversas formas. Sim! Aquele cravinho preto (cientificamente chamado de comedão fechado), aquela bolinha branca que tanto incomoda, mais palpável que visível (comedão fechado) até as pápulas, pústulas e cistos, todos representam fases diferentes da acne e para cada uma dessas apresentações há um tratamento adequado a ser recomendado pelo dermatologista. Contudo, algumas dicas valem para todas as fases da acne. Quer saber quais são? Vamos te contar nossos segredos!

Dica 1: A higienização do jeito certo

A pele com acne é mais oleosa por questões genéticas, e o aumento da oleosidade começa a se mostrar na préadolescência, entre 8 a 10 anos de idade. Nessa fase, os hormônios começam a aumentar e ativam a produção das glândulas sebáceas. Aí já viu: cabelos mais oleosos e o aparecimento dos primeiros cravos. Isso já é acne! O primeiro cuidado com a pele oleosa deve ser aprender a higienizá-la da maneira certa, sem ressecá-la demais. Procure produtos com ativos calmantes, como a camomila, algas marinhas e aloe vera, que fazem uma limpeza profunda, como hamamelis e ácido salicílico, e que sejam anti-inflamatórios, como própolis e azeloglicina. Faça a limpeza da pele com esses produtos de 1 a 2 vezes ao dia.

Dica 2: Controle da Oleosidade

É comum os cravos e espinhas incomodarem tanto que a gente quer resolver o problema “na unha". A questão é que esfregar a pele com frequência estimula ainda mais as glândulas sebáceas a fabricarem sebo, fazendo com que a pele fique ainda mais oleosa e piorando o problema. O cuidado com a acne deve ser contínuo, e o ideal é procurar um dermatologista e fazer o tratamento indicado. Em alguns casos, há a necessidade de medicamentos para o controle inicial, seguido de uma fase de manutenção com cuidados que deverão se tornar hábitos para a vida. Para o controle da oleosidade da pele, os produtos mais utilizados são aqueles à base de derivados do ácido retinoico, que regulam a produção sebácea e estimulam a renovação celular. Desta maneira, os poros são profundamente limpos, o que seria equivalente a uma microesfoliação química, mas sem agredir a superfície da pele.

Dica 3: Nunca aperte as espinhas

Você é daqueles que não resistem a uma espremidinha de espinha? Fique calmo, respire, e procure um profissional habilitado para fazer a limpeza de pele do jeito certo. A manipulação errada dos cravos faz com que eles se rompam nas camadas mais profundas da pele. A liberação de sebo e bactérias que acontece é interpretada pelo organismo como uma agressão e gera uma reação de defesa, ou seja, uma inflamação que se manifesta através da formação das espinhas e nódulos inflamatórios que podem deixar cicatrizes.

Dica 4: Cuidado extra com a maquiagem

Com relação à maquiagem, dê preferência a produtos específicos para a pele oleosa e, principalmente, não esqueça de remover a maquiagem assim que possível. Em hipótese alguma! Nunca! Never! Durma com a maquiagem: além de bloquear os poros e piorar a acne, o contato prolongado de substâncias estranhas com a pele aumenta o risco de alergias. Use um demaquilante para remover o excesso de maquiagem, depois lave com um produto específico para pele oleosa e finalize com os produtos de tratamento indicados por seu dermatologista.

Dica 5: Proteção solar sempre

Qualquer inflamação que ocorra na pele, seja ela uma picada de mosquito, um machucado ou uma espinha, pode deixar uma mancha escura no local, chamada hipercromia pós-inflamatória ou hipercromia residual. Para evitar que a pele fique manchada, é importante tratar essa inflamação logo no começo usar sempre um protetor solar, principalmente nas áreas afetadas, com amplo espectro de fotoproteção (UVB, UVA e luz visível), mesmo em ambientes fechados. Por outro lado, a exposição solar moderada é recomendada devido ao efeito anti-inflamatório da radiação UVB e estímulo à produção de vitamina D. De modo geral, num país tropical como o nosso, recomenda-se de 10 a 15 minutos por dia de exposição ao ar livre, com os braços ou pernas expostos, de preferência no horário de pico do UVB, entre 11 e 14 horas. Se for ficar mais de 15 minutos, proteja-se! Se o dia estiver nublado, proteja-se também! O sol está sempre lá, às vezes só um pouco tímido, escondido atrás das nuvens, mas pode queimar mesmo assim.

Dica 6: Hábitos saudáveis para a pele

Hábitos de vida saudáveis fazem parte de toda recomendação e para acne não é diferente. Procure reduzir o estresse, tenha uma alimentação saudável, durma bem, e evite cigarro e bebidas alcoólicas.

Dica 7: Alimentação e Acne

A dica anterior te pareceu um pouco vaga e superficial? Vamos mergulhar na explicação! Hipócrates, o pai da Medicina, dizia há mais de 2000 anos, que todas as doenças começam no intestino. Como e por que isso acontece, no entanto, começou a ser elucidado na década de 30 do século passado e vem ganhando força e entendimento na atualidade. Você provavelmente já ouviu falar que alguns alimentos causam acne, não é mesmo? Hoje sabemos que isso está relacionado não ao alimento em si, mas sim ao seu “índice glicêmico”. Alimentos de elevado índice glicêmico (IG) estimulam a produção de hormônios associados ao aumento da produção sebácea. Alguns exemplos de alimentos com alto IG são: farinha branca, açúcar refinado, arroz branco, batata e melancia. Entre os de IG moderado estão: arroz integral, batata doce, milho verde e banana. E os de IG baixo: agrião, grão de bico, maçã e castanha do Pará. Mas atenção: nenhum desses alimentos é proibido! Apenas evite o consumo excessivo de alimentos com alto IG e dê preferência à sua ingestão quando houver necessidade de uma fonte rápida de energia, como antes de exercícios físicos, por exemplo.

Dica 8: Você sabia que a saúde da pele também tem relação com o intestino?

Ainda sobre a relação entre intestino e saúde, sabemos atualmente que nosso organismo é habitado por cerca de 10 trilhões de bactérias, a maioria delas morando no intestino, número superior à quantidade de células do corpo humano. Você não leu errado: somos mais bactérias que células humanas! E é, em boa parte, graças à interação dessas bactérias com nossas células que temos saúde e bem-estar. Alimentação ruim, estresse, uso de medicamentos, cigarro e álcool estão entre os fatores que podem levar à destruição dessas bactérias benéficas e ao prejuízo do nosso bem-estar, desencadeando ou agravando condições já existentes como a acne. Vários estudos demonstraram que a ingestão de determinados probióticos foi capaz de melhorar diversas condições de saúde, inclusive a acne. Os probióticos nada mais são do que bactérias do bem que ajudam a reforçar as defesas do nosso organismo.

Dica 9: Fique atento a alterações hormonais

A presença de acne indica uma alteração hormonal em curso, o que é perfeitamente normal e esperado em adolescentes, sem que haja necessidade, na maioria dos casos, de investigações complementares. Contudo, em algumas situações, como mulheres adultas e crianças abaixo dos 7 anos, o aparecimento de acne pode indicar algum desequilíbrio hormonal que requer uma avaliação mais detalhada por diferentes especialistas.

Dica 10: Um dermatologista para chamar de seu

Agora que você já está bem informado para lutar contra a acne, é bom ter um dermatologista do coração. Ele é o médico que se preparou ao longo de muitos anos para cuidar com habilidade e carinho deste que é o maior órgão do seu corpo, e vai saber te orientar como ninguém e te ajudar na escolha das armas mais adequadas para cada fase desta batalha.
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